sábado, 27 de novembro de 2010

Pai


                                                                                                      
 Costa Nova, 4 de Outubro de 2010

Quase dois anos que tu partiste,
Quase dois anos e dói-me ainda tanto a tua ausência…

Mas sinto hoje com maior serenidade a tua perda,

Uma angústia mais salutar,

Uma saudade imensa a cada dia que passa,

Que claramente se tem intensificado com o passar do tempo,

Contudo aceito agora melhor a tua partida…

De uma forma estranha aceitei que terei de continuar a caminhar sem ti,

Não propriamente sem ti porque tu continuas vivo dentro de mim,

no meu coração,

na minha memória,

e no meu sentir…

Aceitei sim que terei de continuar sem ti,

sem a tua presença física,

sem te puder tocar,

sem puder escutar a tua voz…

Não posso mentir-te,

Continuo a ter alguns dias em que sou avassalada pela dor da perda,

Do sabor amargo de saber que partis-te para sempre,

Nesses dias em que choro intensamente,

são as saudades que transbordam dos meus olhos…



O que de alguma parece ter transformado a minha dor,

E a forma como sinto de sentir a tua perda,

é a certeza (estranha, eu sei…) de te sentir e saber por perto,

a certeza de saber que tu onde quer que estejas,

me estás a ver,

me dás a mão quando preciso,

me pegas no colo quando as forças me abandonam,

e me acompanhas todos os dias,

que os teus amigos anjos guardam a menina que tanto amas,

a tua adorada neta,

Que continuo a estar sob o teu olhar atento,

Que de onde me observas também me proteges,

Apesar de toda a estranheza que isto possa causar,

Sei de forma inequívoca que te sinto por perto,



Ao longo destes dois anos,

Em alguns momentos a tua presença é gritante,

De tal modo que nem toda a minha racionalidade e pargmatismo juntos,

Me permitem dizer q não é real!!



Em alguns desses momentos foi por demais evidente,

A tua presença,

O teu olhar,

O teu abraço…o colo…

E sempre a certeza de que nos momentos mais importantes me proteges!!



Amo-te muito pai,

Agradeço tudo quanto me deste,

Agradeço também por, geneticamente, terb herdado tanta coisa tua,

A capacidade de rir até ás lágrimas,

De dizer disparates com fartura,

Que colocam quem nos rodeia num estado de constante boa disposição,

A capacidade de dar gargalhadas com uma intensidade extraordinária…

A cordialidade, simpatia e tanto, tanto que sei que existe em mim porque é um pedaço de ti,

tanto do teu código genético na pessoa que sou…

Só lamento coisas que gostava de ter feito mais contigo,

Palavras que gostava de te ter dito…

e que ao invés as calei no meu peito!!

…muito que acho que podíamos, ainda, ter partilhado…



De qualquer forma na impossibilidade de voltar atrás no tempo,

Falo contigo quando sinto que devo falar e sei que me ouves,

e me abraças com o teu amor, enquanto escutas,

Hoje todas as minhas atitudes são avaliadas á luz da forma como acho que gostarias que fizesse,

e tento fazer sempre da forma como o meu coração me mostra que seria essa a tua escolha,

seria esse o caminho que escolherias para mim…

Amo-te muito hoje e sempre!!!!!!!!
Cáti


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tocaste-me

Tocaste-me
Tocaste o meu coração,
A minha alma,
O meu mundo…

Fizeste-me pensar,
Levaste-me a questionar,
a duvidar do caminho que estava a seguir…
a perguntar se vale a pena…


mas por vezes sinto,
que como me tocas
me deixas…


sinto saudades do teu abraço…
os meus lábios sentem a falta do teu beijo…
a minha pele anseia de novo pelas tuas mãos…
de certa forma sinto a tua falta…


não sei quando tempo vou ficar por aqui,
não sei porque aquilo que sinto,
dói-me,
rasga-me o peito,
assusta-me…

Ás vezes quero fugir...
quero fugir-te,
Gostar de ti magoa-me
Faz-me sofrer…
Sinto o peito dilacerado
Como se se tivesse a rasgar
Uma angustia enorme

A tua ausência dói-me
Quase sempre…
Dói-me sentir que me fazes falta…
Dói-me olhar em redor e não te ver,
Não poder olhar dentro dos teus olhos…

Tenho medo de me perder,
De me perder no meio deste sentir…